CICA 42 anos de existência: Discurso da Secretária Geral proferido no Bié

A mensagem alusiva ao quadragésimo segundo aniversário do barco ecuménico angolano conhecido por CICA foi proferida pela Revª Deolinda Dorcas Teca, durante o culto ecuménico realizado na cidade do Kuito.

Dada a importância, o Flash de Notícias publica na íntegra a mesma mensagem.

 CICA- 42  ANOS

CICA: DEUS NO COMANDO

Excelentíssimo Senhor Governador da Província do Bié, Engenheiro Pereira Alfredo,

– Excelências Reverendos Pastores e Representantes Provincias das Igrejas membros do CICA,

– Distintos Convidados,

– Distinto povo de Deus,

– Minhas irmãs e meus irmãos em Cristo Jesus.

Permitam-nos saudar calorosamente em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.

“Se o Senhor não Edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam.

E se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinel. Inútil vos

será levantar de madrugada e repousar tarde”. (Sl. 127: 1- 2)

Caríssimo Povo de Deus, louvado seja o Senhor por muitas coisas faladas e feitas mas especialmente por ter inspirado, animado e empoderado homens e mulheres através do seu Santo Espírito, na fundação deste Conselho Cristão, rede ecuménica das Igrejas, que na altura da criação chamou-se Conselho Angolano de Igrejas Evangélicas – CAIE, actualmente designado por: Conselho de Igrejas Cristãs em Angola – CICA.

Falar do CICA no passado, no presente e no futuro, não é coisa fácil como se tratasse de um exercício de beber água.

Mas também, nunca é demais recordar que o CAIE, actual CICA, nasce por iniciativa das Igrejas, não por imitação ou imposição. Mas foi uma visão das próprias Igrejas angolanas, e sem medo de errar, trata-se de uma inspiração Divina e sob coordenação das Igrejas Metodista Unida e Evangélica Congregacional em Angola, naltura lideradas respectivamente pelo Bispo Emílio de Carvalho e Rev. Henrique Etaungo Daniel.

Estes, aos 24 de Fevereiro de 1977, animados e orientados pelo Espírito Santo, decidiram convidar as lideranças das demais Igrejas do país, nomedamente: Igreja Metodista Unida, Igreja Evangélica Congregacional (IECA), Igreja Evangélica de Angola (IEA), Igreja Evangélica Baptista em Angola (IEBA), Igreja Evangélica do Norte de Angola actual Igreja Evangélica Reformada de Angola (IERA), Missão Evangélica Pentecostal em Angola (MEPA) e Igreja Kimbanguista.

O encontro teve lugar na Central de Luanda da Igreja Metodista Unida, com a finalidade de criar uma instituição ecuménica idónea e credível, cujos objectivos consistia em: Promover a unidade e estreitar os laços de cooperação entre Igrejas cristãs e servir de elo de ligação entre elas.

E ao mesmo, teria como missão representar as demais Igrejas e servir de interlocutor válido perante o Estado angolano, e as organizações internacionais, nos assuntos de interesse comum, e sempre que fosse necessário.

A visão ecuménica foi marcada pelos seus primeiros passos, com a criação da Comissão Permanente de Serviço Social , no então CAIE. Naltura, assistiu milhares de angolanos que pelas circunstâncias diversas, viviam em condições difíceis. O CICA assistiu fortemente as populações, dando roupa, medicamentos, alimentação e outros não menos importantes. Desempenhou um papel interventivo, na advocacia e educação para a paz.

De um corpo ecuménico que sempre soube unir-se e concertar-se e nos momentos decisivos, para levantar a sua voz sobre os problemas espirituais e sociais.

O CICA, há mais de 30 anos é membro do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), da Conferencia das Igrejas de Toda África (CITA), do Forum dos Conselhos de Igrejas da África Austral (FOCCISA) e outros não menos importantes.

Ao celebramos os 42 anos de existência, sob Lema: “Deus no Comando” da nossa Missão, fica gravada uma palavra de apreço a todos os nossos predecessores, Secretários Grais, nomeadamente os Reverendos Daniel Ntony-a-Nzinga, José Belo Chipenda, Augusto Chipesse, Gaspar Jõao Domingos, Francisco Bernardo Neto e Luis Nguimbi, que com zelo e dedicação conduziram o barco ecuménico ao bom porto, sem obviamente ignorar os esforços de todos Moderadores das Comissões Ecuménicas de Cooperação (CEC), órgão representativo do CICA ao nível das 18 províncias, bem como os funcionários e colaboradores, que serviram e o fazem até agora, sendo co-pilotos desde  viagem ecuménica e sua existência.

Não deixaremos de realçar o papel desempenhado pelos pastores, evangelistas, diáconos, mulheres, jovens e homens das diferentes Igrejas membros, pelo apoio moral, material, financeiro e espiritual, sem o qual a visão e a missão do CICA, não teria visibilidade e locomotiva e, não teria pernas para andar.

O CICA cresceu em Departamentos e projectos, igualmente cresceu em termos de número de membros, Centros Ecuménicos, as Comissões Ecuménicas de Cooperação também cresceram, e suas respectivas subcomissões Municipais em algumas Províncias, com destaque a Província de Benguela. Sua consciência diante das responsabilidades para com o país também cresceu, apesar de não podermos cubrir cabalmente a expectativa de muitos.

Quanto aos programas  e projectos,  realçamos as áreas de Evangelismo e Cooperação que reúne as senhoras, os jovens e os pastores; de Saúde, Avaliação Participativa da Pobreza e Monitoria Social da Boa governação; Luta contra a violência baseada no género, Formação de quadros; Mudanças Climáticas; Paz e Direitos Humanos; Comunicação e Informação; Formação técnico profissional geralmente administradas nos centros ecuménicos, e outras que prendem a atenção das Igrejas membros deste conselho. Reconhecemos que ainda há por se fazer. A famosa crise económica mundial e nacional tem afectado a nossa missão. “Somos abalados mas não destruídos”.

Não obstante a isso, ressalta aos nossos olhos um novo quadro, pois, CICA continua aguerrido e cada vez mais visionário, pronto a adaptar-se aos desafios actuais que a era da globalização o impõe, sem abdicar-se dos seus deveres e princípios ecuménicos, essencialmente cristãos.

É nesta dinâmica que o CICA tem pautado por uma convivência pacífica, assegurando com firmeza a tocha da Unidade na diversidade apesar da complexidade do exercício ecuménico. E tem se engajado de forma permanente ao diálogo inter-denominacional e institucional, um trabalho útil com o Governo, as comunidades e instituições eclesiásticas irmãs, e com as organizações da sociedade civil.

Ao celebrarmos hoje os 42 anos, reconhecemos os feitos de Deus  em  como povo eleito. Por outras palavras, devemos reflectir seriamente sobre a nova missão para a Igreja ela mesma e para país que nós queremos ter. Esta é fase de preparação para uma nova era, uma nova missão conducente para o que deve acontecer em benefício da maioria.

Entretanto:

a.   Apelamos aos membros do CICA, que devem renovar o seu compromisso á Unidade do Corpo de Cristo Uno e indivisível e da base ao topo.

b. Ao reconhecermos de que somos uma família espiritual, teológica, e de ética cristã, encorajamos as mulheres e os jovens a desempenharem o seu papel moral,  de mobilizador e evangelístico. È necessário contagiar o mundo com as boas praticas, partindo primeiro pelo respeito e dignidade a vida humana, ( Não matarás, não roubaras: Êxodo 20: 13- 16); Dizer não a violência, não ao vandalismo as coisas públicas adquiridas com muito sacrifício, a destruição da vida pois ela é um dom de Deus.

c) A liderança cristã: è importante continuar a ler os sinais dos tempos. È imperioso falar, pregar, planificar e implementar o essencial que corresponda com os actuais desafios, de formas a dar resposta positiva as questões espirituais e sociais. Mais evangelização e moralização da sociedade. È importante redobrar a nossa missão continuarmos a trabalhar no discipulado de líderes jovens, mulheres e prepara-los para que sejam os verdadeiros líderes de hoje e do amanhã. Líderes que servem a Deus com zelo e dedicação.

O lema das nossas celebrações é: “Deus no commando”, significa que somos constrangidos a caminhar juntos, a dialogar, apesar das nossas diferenças e a fazer diferente. Primar pela paz e pela unidade nacional, pois o que nos une deve falar mais alto do que aquilo que nos divide.

Precisamos fazer cada vez mais firme a nossa vocação, promover cada vez mais a nossa discussão, olhar com seriedade as nossas diferenças, com respeito pela opinião do outro, e, consensualmente ensaiarmos os resultados da discussão e acção, primando sempre pela Unidade do corpo de Cristo. A unidade permite-nos ser mais fortes e fazer grandes coisas para o Reino de Deus.

Que Deus nos ilumine, juntos por uma comunidade de fé, por uma Igreja Cristã, cada vez mais unida, forte e comprometida ao serviço do Evangelho e da transformação das mentes, de atitudes e comportamentos, mas com Deus sempre no comando.

Obrigada pela atenção Dispensada.

 

Membros de diferentes Igrejas
Coro da IECA

 

Coro Metodista
Coro Central da IEBA

 

 

 

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