Domingo de Ramos

Entre as celebrações litúrgicas dos judeus nos tempos de Jesus estava a Páscoa. Naquelas alturas todos os caminhos apontavam para Jerusalém. A província da Judeia e mais propriamente a sua capital Jerusalém acolhia os Judeus espalhados pelas demais províncias do país e centenas se não milhares de peregrinos de fora do País: como do Egipto, da Assiria, da Pérsia etc.  Era com muita satisfação e júbilo que o povo afluía aquela cidade para render graças a Deus pela libertação da escravidão que durou cerca de quatrocentos anos no Egipto.

O segundo livro da Bíblia, o chamado livro de Êxodo, narra detalhadamente como Deus livrou o seu povo fazendo o Egipto passar por dez pragas devido a relutância de faraó em não querer livra-lo da escravidão. O irmão se recorda, com certeza, da última praga, a da morte dos primogénitos, da qual só se salvaram aqueles que aspergiram o sangue de cordeiros nos umbrais de suas portas. Foi um dia de lágrimas e de luto. A morte pairou sobre o Egipto pois o anjo da morte feriu todas as residências que não tinham o sinal do livramento (O SANGUE DO CORDEIRO). O palácio de faraó não foi poupado. Sua soberba não pode evitar a morte de seu primogénito.

Rendido aos factos e sobretudo ao poder de Deus, faraó ordena que o povo hebreu fosse em liberdade à terra dos seus pais a terra dos seus ancestrais. A memória deste evento passou a ser celebrada com gáudio e acções de graças depois que o povo tomou de volta a sua terra, a terra que Deus havia prometido a Abraão. Cerca de mil e trezentos anos depois, entre altos e baixos, o povo de Deus testemunha a mais bela história da salvação da humanidade. É justamente neste contexto que surge o Domingo de Ramos.

Uma pergunta que não se cala é: o que é o Domingo de Ramos?:

O Domingo de Ramos é uma festa móvel cristã celebrada no domingo antes da Páscoa. Móvel porque a data da Páscoa não é fixa. Ela, a Páscoa pode acontecer no período que vai entre finais de Março até meados de Abril. A festa do Domingo de Ramos remete-nos a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, um evento mencionado nos quatro  evangelhos canônicos (Marcos 11:1Mateus 21:1-11Lucas 19:28-44 e João 12:12-19).

Mc 11:1 E, logo que se aproximaram de Jerusalém, de Betfagé e de Betânia, junto do Monte das Oliveiras, enviou dois dos seus discípulos,

Mc 11:2 E disse-lhes: Ide à aldeia que está defronte de vós; e, logo que ali entrardes, encontrareis preso um jumentinho, sobre o qual ainda não montou homem algum; soltai-o, e trazei-mo.

Mc 11:3 E, se alguém vos disser: Por que fazeis isso? dizei-lhe que o Senhor precisa dele, e logo o deixará trazer para aqui.

Mc 11:4 E foram, e encontraram o jumentinho preso fora da porta, entre dois caminhos, e o soltaram.

Mc 11:5 E alguns dos que ali estavam lhes disseram: Que fazeis, soltando o jumentinho?

Mc 11:6 Eles, porém, disseram-lhes como Jesus lhes tinha mandado; e deixaram-nos ir.

Mc 11:7 E levaram o jumentinho a Jesus, e lançaram sobre ele as suas vestes, e assentou-se sobre ele.

Mc 11:8 E muitos estendiam as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho.

Mc 11:9 E aqueles que iam adiante, e os que seguiam, clamavam, dizendo: Hosana, bendito o que vem em nome do Senhor;

Mc 11:10 Bendito o reino do nosso pai Davi, que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas.

Para um melhor entendimento da razão porque o povo clamava Hosana ao filho de David precisamos recuar no tempo desde o chamado de Abrão que mais tarde veio a chamar-se Abraão. Segundo a narração bíblia iniciada em Géneses 12 e seguintes depois promete uma nova terra a Abrão e uma descendência inumerável como são inumeráveis os graus de areia e as estrelas dos céus. Abrão obedece e deixa a sua parentela e sua terra Ur dos caldeus e parte para o desconhecido apontando por Deus. Canaã é a terra que Deus prometeu e a deu a Abrão, o pai da fé (Tiago 2:21). A promessa de Deus fazer de Abraão o pai das nações cumpre-se em seu filho Isaac, também conhecido como o filho da promessa. Isaac dá continuidade a promessa de Deus através de seu filho Jacó que mais tarde veio a chamar-se Israel (Géneses 32). Jacó dá continuidade a promessa de Deus através dos seus 12 filhos também conhecidos como as 12 tribos de Israel (Rubén, SimeãoJudáZebulomIssacarGadeAserNaftaliBenjamimManassés e Efraim)

A descendência de Judá que ocupou a zona Sul da terra que Deus deu a Abraão, após 400 anos de escravatura no Egipto e 40 anos de peregrinação no deserto, jogou um papel importantíssimo: O nome Judá deu nome a localidade sul que passou a chamar-se Judeia. Por outro lado a religião ao povo escolhido que era até então conhecida como a religião do povo hebreu ou do Deus de Abraão ganhou um outro nome: Judaísmo.

É dentro do judaísmo que Jesus Cristo nasce cerca de cinco centenas de anos depois de Isaías haver profetizado (cf. Isaías 7 e 9).

Depois que o povo tomou a terra de seus pais, a terra de Abraão sua vida não foi um mar de rosas. Foram, muitas vezes, oprimidos e castigados por outros povos, sobretudo quando voltassem as costas as Deus (leia Juízes). Mesmo depois de Juízes o povo passou por cativeiros e humilhantes repreensões e castigos pelos babilónicos (cerca de 600 anos antes de Cristo), pelos persas (cerca de 500 anos a. C), pelos gregos (cerca de 300 anos a. C) e pelos romanos (cerca de 90 anos a. C). O povo estava cansado da opressão e dominação de outros povos. Olhavam para as Escrituras e restava-lhes as promessas de Deus: Isaías 9:6 Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.

Quando surgiu João Baptista a pregar no deserto que o Messias prometido por Deus havia chegado todo o povo regozijou-se e esperou paciente pelo dia da sua apresentação. João Baptista fe-lo no dia do Baptismo de Jesus dizendo que aquele que vem após mim nao sou digno de abaixar-me e dasatar-lhe as correias das suas sandálias (Marcos 1:7-ss; João 1:27-ss). Após o seu baptismo, Jesus chamou doze apóstolos e cerca de cetenta discípulos para serem os continuadores da implantacão na Igreja dentro e fora de Israel. Com eles trabalhou cerca de três anos até ao dia que entende participar da festa da Páscoa em Jerusalém.

Estavam ali, na Judeia mais propriamente em Jerusalém, judeus vindos de várias localidades para festejar a Páscoa. Foi justamente neste clima festivo que Jesus entra montado num jumentinho, animal de carga. O povo clamava: hosana ao filho de David o que quer dizer salva mesmo agora. O povo via em Jesus a alternativa de se desfazer dos sucessivos anos ou mesmo séculos de dominação e restaurar a paz dos tempos de David e Salomão. Daí a expressão hosana ao filho de David. Mas o povo nao sabia que a paz de Jesus era muito mais além que um cessar das hostilidades militares. A paz de Jesus se resume para presença completa do amor na vida das pessoas (João 14:27). Tal é que Jesus nao se dirigiu ao palácio de Pilatos ou a Herodes para lutar com eles. Ele dirigiu-se ao templo para purificá-lo da maldade que a religiosidade havia causado.

Ao celebrar o Domingo de Ramos nos dias de hoje; ao levarmos ramos de palmeiras nas nossas roupas ou ao espalharmos nas nossas igrejas, devemos buscar alguns significados que nos podem ajudar a purificar o templo que é o nosso coração:

  • Que o ramo de palmeira simbolize a vassoura com a qual varremos os sentimentos nocivos ao bem estar como o ódio, a inveja, a calunia, a fofoca;
  • Que o verde do ramos alimente em nosso coração os mais nobres sentimentos de amor a Deus e ao próximo;
  • Que o ramo nos motive a semear o bem todos os dias da nossa vida.

 

Que Deus a todos nos abençoe

Por: Ovídio de Freitas J. Chissengue

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