EUA: Grupo satanista recebe estatuto de “Igreja”

O grupo ‘Templo Satânico’ de Massachusette recebeu reconhecimento em abril ultimo seu estatuto de ‘igreja’ pelo Internal Revenue Service (IRS), a agência do governo federal dos Estados Unidos da América que recolhe em particular o imposto sobre o rendimento.

A decisão do IRS coloca a associação satánista no mesmo nível em termos legais (jurídico) que as outras entidades religiosas. “Esse reconhecimento garante que o Templo Satânico tenha o mesmo acesso ao espaço público que as outras organizações religiosas”, revela o grupo num comunicado divulgado no dia 25 de abril. “Isso reforça nossa posição nos tribunais quando lutamos contra a discriminação religiosa, e nos permite reivindicar os benefícios que o Estado concede aos grupos religiosos”, referiu ainda.

Nos Estados Unidos, os grupos com estatutos de Igreja beneficiam-se em particular das vantagens fiscais.

Verdadeiros satanistas ou provocadores?

Embora não esconda sua lealdade ao demônio, o Templo Satânico que reivindica 100.000 seguidores foi fundado por ateus declarados, indica a mídia americana Catholic News Agency (CNA). O grupo também exibe vários valores humanísticos. Suas imagens satânicas seriam principalmente provocatórias junto das religiões estabelecidas. Os membros do grupo denunciam acima de tudo a suposta interferência da religião no espaço público.

Numa entrevista em 2013, Douglas Mesner, porta-voz do Templo Satânico, falou da sua intenção de ser uma “cápsula de veneno no debate entre as Igrejas e o Estado”.

Os activistas já se deram a conhecer, lançando procedimentos legais exigindo que imagens satânicas ou estátuas sejam instaladas em espaços públicos, juntamente com os tradicionais símbolos judaico-cristãos. Ao pedir que uma estátua de Baphomet fosse colocada em frente a um edifício oficial na cidade de Oklahoma em 2014, o Templo Satânico foi capaz de impedir a instalação planejada de um símbolo cristão.

O reconhecimento do Templo Satânico pelo IRS vem depois que os membros do grupo tiveram que se defender contra acusações de que sua “igreja” era primariamente uma “combinação política”. Um recente documentário nos Estados Unidos, no entanto, sugeriu que as crenças dos membros eram geralmente sinceras.

Cath.ch/cna/rz

 

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