Jornalismo ecuménico enlutado: “Papá Maluengui” sepultado no Cemitério do Benfica

Os restos mortais do antigo repórter do Flash de Notícias do Conselho de Igrejas Cristãs em Angola (CICA), David Suzana Mateus, vulgarmente conhecido por “Papá Maluengui”, falecido na passada Quinta-feira, dia 19 do corrente mês, em Luanda, vítima de doença, foram a enterrar na manhã de Sábado (21.12), no cemitério do Benfica, em Luanda.

Num ambiente de consternação e dor, o Revº Daniel Vela Daniel, pastor da Paróquia A Luz Divina, da Igreja Evangélica de Angola (IEA), no bairro Golf I, presidiu a cerimónia fúnebre tendo ressaltado as qualidades do malogrado que contribuiu para educação e formação de muitos jovens.

Natural do Soyo, Província do Zaire a que defendia com orgulho, foi membro da IEA, denominação a que trabalhou como Editor-chefe do Jornal “Facho Evangélico”.

Em 2010, ingressa no Conselho de Igrejas Cristãs em Angola (CICA) na qualidade de colaborador do Centro de Documentação, Informação e Literatura (CEDIL) até 2017, cujo empenho laboral em prol da profissão colhia consenso de todos os colegas, quanto a sua forma de ser, porquanto não colocava mão nem tão pouco sabujar na seara alheia.

Na Redacção do Flash de Notícias antes de publicar os artigos aprovados, eram evidentes o seu sábio conselho quer por parábolas ou frases directas que lhe era característica ao autodenominar-se em jeito de brincadeira “líder da baixa liderança”.

Com a saída do Papá Maluengui, o Flash de Notícias ficou pobre em matéria ligada a “Crónica” de que assinava com “savoir-faire” em cada Edição. Que fazer, com a idade já avançada, as doenças, entre outros obstáculos, não lhe deixou a partir dali continuar com a profissão.

“Papá Maluengui” para os mais íntimos tinha o jornalismo e a língua de camões inseparáveis armas de comunicação a todos os títulos a que veio formar muitos jovens das Igrejas que hoje ostentam o título de jornalista ou comunicador através de seminários, workshop, cursos e consultas realizados pelo CEDIL.

Com nostalgia recordamos uma das suas crónicas intitulada “O que devo fazer para ser jornalista? ” a que defendia, quem quiser seguir a profissão de que gosta, deve aprendê-la a fundo, para desempenhar com zelo, eficácia e responsabilidade.

Para ele, “o jornalismo não é uma profecia, para advinhar o que se passa em seu redor. Só informa aquilo que vê e ouve das fontes (informadores). Os pastores, diáconos, evangelistas, sobretudo os comunicadores cristãos, devem enviar as informações à Redacção, de modo a enriquecermos o nosso humilde jornal ecuménico, de que tanto gostamos de ler e reler, a julgar pelos elogios de que é alvo. Cada Igreja é responsável do Flash de Notícias pelo seu avanço ou fracasso. A equipa redactorial não pode nem deve ser um bode expiatório no caso de um insucesso”, sublinha Papá Maluengui.

Segundo as suas palavras, o jornalista é um profissional que sabe escolher o melhor para o seu público, em obediência a linha Editorial do jornal em que trabalha, que é a “patroa” que determina, por assim dizer, a “verdade” que deve ser anunciada aos quatro ventos, independetemente da ética e da deontologia, a que ele já sabe de cor, como papagaio.

Como indivíduo que gostava de ler e escrever muito, e não aquele que detesta o livro, seja ele um romance, ensaio, poesia ou conto, foi o “Estandarte”, o jornal Metodista angolano fundado nos anos 40, que inculcou no Papá Maluengui enquanto jovem, o gosto pelo jornalismo e pela literatura, tendo como ídolo o Revº Gaspar de Almeida, seu Editor e fundador.

Enfim, com a sua morte, o CICA apresenta a família enlutada e a Igreja Evangélica de Angola (IEA) os sentimentos de pesar na esperança da ressurreição em Cristo Jesus.                                                                      Por Daniel Ntango

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